Instituições religiosas, direitos e diversidade sexual: invenções da relação na contemporaneidade
Data da publicação: 7 de maio de 2021 Categoria: PublicaçõesO Professor Marcelo Natividade informa inscrições abertas para Revista Mandrágora – Dossiê temático “Instituições religiosas, direitos e diversidade sexual: invenções da relação na contemporaneidade”, sob sua organização em parceria com a UMESP e UFAL
Inscrições até 15 de dezembro de 2021 no Sistema da Revista.
Acesse: https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/MA
Organizadores:
Marcelo Natividade, Universidade Federal do Ceará (UFC)
Sandra Duarte, Universidade Metodista de São Paulo (UMESP)
Carlos Lacerda, Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
RESUMO:
Em 24 de outubro de 2020, um posicionamento do Papa Francisco chamou atenção da opinião pública: “As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser impedido ou tornado infeliz por isso. O que precisamos criar é uma lei sobre as uniões civis.”. Com essa fala, registrada pelo cineasta italiano, Evgeny Afineevsky, em filme exibido no Festival de Roma, ele deu explícito apoio à união homoafetiva e aos direitos LGBTI+. Será que a notícia pode ser interpretada como um avanço, fissura nas estruturas ideológicas do cristianismo, diante de séculos de posturas institucionais francamente hostis e LGBTfóbicas? Que mudanças estariam em curso no tradicionalismo cristão e suas percepções da diversidade sexual decorridas duas décadas do século XXI?
No Brasil, igrejas cristãs são, em grande parte, reprodutoras de discursos heteronormativos, sustentados pela incisiva interdição da homossexualidade, da bissexualidade e da diversidade de gênero nas práticas rituais e no universo sagrado e também manifesta na obstrução dos direitos LGBTI+ pelas bancadas religiosas. A presunção da universalidade da heterossexualidade, sob a máxima da criação de uma humanidade inteiramente “heterossexual”, ainda é a regra. Contudo, ventos de mudança se observam no cenário nacional e global com: o surgimento de igrejas específicas LGBTI+; debates sobre a criação de núcleos da diversidade dentro das congregações e sobre a ordenação de pessoas não heterossexuais; a criação de movimentos laicos inclusivos no catolicismo, dentre outras ações.
Espera-se reunir trabalhos que ajudem a elucidar avanços e retrocessos nos direitos dos coletivos LGBTI+ na sua relação com as respostas das instituições religiosas. Interessa particularmente colocar em debate, através dos trabalhos selecionados a relação das tradições religiosas com temas da diversidade sexual, incluindo o casamento igualitário, o processo transexualizador; a dita “cura gay”, as famílias homoafetivas e seus métodos reprodutivos; fenômenos de transparentalidade; feminismos e igrejas inclusivas; o controle das práticas sexuais pelas pastorais do sexo dessas igrejas; bem como o surgimento de movimentos religiosos extremistas que reavivam posturas de intolerância e ódio às diversidades sexuais e de gênero.